26.
Nem sei onde estou...
No reflexo do vidro
Vejo as cadeiras castanhas, altas
Com um capucho amarelado
Que já foi branco,
Olho as linhas dos bancos
Muito apertadas pelos botões,
Não consigo ver a estrada
É noite, chove, é escuro,
Estou perdido...
O sorriso do cobrador
A condizer com o vestir dos lugares...
E com um dente ou dois já podres...
Um cheiro fétido erra no ar
Compacto, forte, embaciado...
Tenho os pés molhados...
E um frio que se me cola aos ossos
Chove... oiço... olhos cansados
A camioneta corre como uma mula...
Trim... trim... trim...
Toda a gente gosta da campainha
Todos querem sair... partir...
Escapar da vida que os cerca...
-Poemas de 1982/1991-
(Quadro de Joan Miró)
