17.
Respiro comigo mesmo o ar
Da solidão escura que existe em mim
Todos os céus num só
Na minha mão que são muitas
O meu ensejo é esquecer o azul
Os meus dedos que sobram
E se completam sem eu entender...
Bafos de lua cheia
Marés distantes, noite
Que nunca acaba por eu gostar dela...
Amor que se apaga sem ter acendido...
Desilusão fugaz e eterna
Que brota das entranhas
Profundas de um oceano chamado eu...
Morra-me a vontade
Que seja eu quem devia ter sido.
Deixo-me falecer nos teus braços
Que são os meus
E durmo o sono efémero ouvindo
A voz do meu sonho...
-Poemas de 1982/1991-
(Quadro de Courbet)
