15.
A cidade mergulha no cinzento claro
Do aveludado, acetinado, lençol céu...

Não é de chuva nem de vento
Nem de frio o dia.

As casas amontoam-se na encosta
Telhados cor de tijolo, algumas vestidas
Outras ainda nuas olham o futuro
Distante, longe, são os vizinhos de outras terras

Ruas que descem, tascas, vinho
Que aquece a alma, respira pelas frinchas
De cada porta, deixa um aroma
Fresco de vida na calçada húmida, ainda é manhã...

À hora do almoço, um ar a comida
Flutua, erra nostalgicamente pelas ruas

Nunca ninguém pintou nada
Desta paz silenciosa, deste sentimento
Intenso que assalta as narinas
De quem distraído passa.

-Poemas de 1982/1991-
(Quadro de Cezanne)