23.
Rabisco coisas no guardanapo do bolso
Os dedos do cigarro saltam histéricos
Como virgens papoilas de adolescentes sorrisos
Os óculos na ponta do nariz sonhador
Fazem prever danças da chuva lá para o Verão
Correm os putos ao ar que não é
Torcem os pés as cachopas
E a luz branca, suja de tão escura do dia que é noite
Percorre o meu peito e abraça-me como quem se despede
Ao longe correm as tartarugas desenfreadamente
Paradas no trânsito selvático que molha os pés no suor
Quente de mais um dia de Inverno normal
A chama apaga-se e é o costume
É um aroma a merda que se cola ao cu
E à saliva do mar revolto nas rochas
Circo dos circos homens elefantes de razões distantes
Confiantes no dinheiro das algibeiras
Que matam à fome e à sede os outros
Aqueles... somos nós que fodemos tudo
Nós aqueles, aqueles como nós
A dor a cada brisa que desliza e pisa
As consciências de quem dorme descansado
E eu atormentado escrevo desalentado
Frutos secos na Primavera...
Rabisco coisas no guardanapo do bolso
Os dedos do cigarro saltam histéricos
Como virgens papoilas de adolescentes sorrisos
Os óculos na ponta do nariz sonhador
Fazem prever danças da chuva lá para o Verão
Correm os putos ao ar que não é
Torcem os pés as cachopas
E a luz branca, suja de tão escura do dia que é noite
Percorre o meu peito e abraça-me como quem se despede
Ao longe correm as tartarugas desenfreadamente
Paradas no trânsito selvático que molha os pés no suor
Quente de mais um dia de Inverno normal
A chama apaga-se e é o costume
É um aroma a merda que se cola ao cu
E à saliva do mar revolto nas rochas
Circo dos circos homens elefantes de razões distantes
Confiantes no dinheiro das algibeiras
Que matam à fome e à sede os outros
Aqueles... somos nós que fodemos tudo
Nós aqueles, aqueles como nós
A dor a cada brisa que desliza e pisa
As consciências de quem dorme descansado
E eu atormentado escrevo desalentado
Frutos secos na Primavera...
-Poemas de 1998/2000-
(Quadro de Clifford Still)
