11.
Solto o meu andar pelas margens do rio,
Enfio pela estrada, vou dar à ponte
O Sol por detrás queima-me as costas...
As nuvens que carregadas passam...
São minhas, as figuras...
A minha silhueta no rio
Perde-se na sombra escura...
Nada perdura tudo se finda...
Venço a morte... ou... talvez não...
Pelo menos por agora que a nuvem
Passa e tapa o sol...
Aquela luz que me ilumina
Forte, dolorosamente frívola...
-Poemas de 1982/1991-
(Quadro de Monet)
10.
Olhar-te assim como um pôr-do-sol...
Mergulhado em teu aroma... – estou a sorrir...
Navego nos teus lábios, procuro um porto
Onde descansar... azul o céu a olhar...
Murmúrio delicado de água a namorar...
Sinto a espuma salgada de pedras e areia
Num oceano imenso de amor...
Beijos, loucas carícias... olhares perdidos...
Pachorrento, pesado movimento parado
Sonho azul... bebo o meu pensamento...
Sonho com portos... navego ao sabor dos teus lábios...
Deslizo em mim, no teu corpo molhado
O céu fecha-se, o todo submerge-nos,
Sinto pressão... além bate uma porta...
O mundo todo em torno de nós...
Sufoco... deixo-me cair na areia
Olho... tudo igual e indiferente... a porta
Está aberta e os ventos percorrem o espaço...
... deitado na areia, só...
Ah!... triste engano, névoa escura e densa...
-Poemas de 1982/1991-
(Quadro de Chagall)
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