27.
As sombras nuas espreitam-me com os olhos esbugalhados
Silenciosamente, docemente... a luz artificial no teto...
Em baixo, por cima da cama dois corpos entrelaçados
Nas margens as roupas em desarrumo especial...
Em baixo, quase ao meio, o regaço húmido e quente
As pernas abertas, carícias suaves
Em baixo, os lençóis molhados de suor e de cheiros
O calor das extremidades, gotas de orvalho... nasce o Sol...
Em baixo, os gritos de uma mulher e de um filho
O homem acaba de chegar, de voz rouca, quase inocente...
As sombras salientes como manchas nas paredes...
-Poemas de 1982/1991-
(Quadro de Gustave Courbet)






