24.
Procurar algo
Onde não existe nada...

Procurar
O que se não quer...

Julgar que se tem
E não se ter nada
É ser feliz
E nunca saber o que é chorar...

-Poemas de 1982/1991-
(Quadro de René Magritte)

23.
O meu pensar é o fugir
É julgar que se sorri e se chora
É fechar e não mais querer abrir
É o meu refugio, o me canto, o meu teto
E nunca se saber ao certo onde se mora
É o manto que me protege da chuva
E do frio da noite feita lá fora...

-Poemas de 1982/1991-
(Quadro de René Magritte)

22.
Lembras-te de mim
Ó imagem, miragem
Minha distante?
Recordas-te de mim?
Ó eu que me invoco
Responde ao meu chamar!...

Quando em mim cruzares
Ao atravessarmos os dois o mesmo lugar
E se seguirmos rumos diferentes,
Fala-me, diz-me algo...
Mesmo que nada seja...

-Poemas de 1982/1991-
(Quadro de Mark Rothko)

21.
Serão loucos os loucos
Ou serão os outros
Que não sendo loucos
O são?...

-Poemas de 1982/1991-
(Quadro de Mark Rothko) 

20.
Durmo acordado sem ter sono de viver
Dói-me a alma de te não ter
Choro em mim e não sei porquê...

-Poemas de 1982/1991-
(Quadro de Willem de Kooning)


19.
A luz da vela decai agora frouxa e mole
Nas rudes paredes do coberto
Uma leve dor transpira das paredes

A gota de luz cai, espalha-se
Em cada letra escrita
No livro, naquela página...

...Mas nada contém...
...Vazio e palavras...

O livro aberto, aberto pelo vento
Que vem da porta fechada...
E que inunda o espaço...

-Poemas de 1982/1991-
(Quadro de Jackson Pollock)

18.
Queria ser quem nada pretende querer
Queria ser não sendo, sendo só viver

...Ah, tão longe da minha ideia o meu destino dista...

Queria ser o teu destino, o teu desfalecer
Queria ser o querer-te sem receio de morrer

Queria ser o ar que respiras sem perceber
Queria... talvez, só entender!...

-Poemas de 1982/1991-
(Quadro de Degas)