7.
Amontoam-se casas e mais casas
As serras e os montes são casinhas
As estradas cortam campos
O progresso range os dentes
As máquinas desatinam desvairadas
E embrutecem as pessoas
E a televisão, o futebol
As antenas e os cabos
Dão tudo e ninguém quer mais nada.
-Poemas de 1998/2000-
(Quadro de Mimmo Rotella)
6.
As pessoas que estão sentadas nos cafés
Bebem águas gaseificadas
E arrotam a vida dos outros
Com a facilidade de um espirro
Eu acho isso extraordinário
Cosmopolita e, por isso, ridículo,
Amo sinceramente o facto
E o facto é um espirro dado num café
Provavelmente, não haverá nada de mais estranho
Que um animal presunçoso e arrogante
A sorver calmamente o seu café
Com o dedo mindinho, maroto e atrevido
Teso, no ar, como que a dizer: - eu estou aqui!
E de novo um espirro
E mais outro,
De repente a gripe é generalizada...
E as gargalhadas estridentes...
E a morte é a única saída para o crime
De estar ali.
-Poemas de 1998/2000-
(Quadro de André Masson)
4.
No centro da aldeia o chafariz
Bailaricos de fim-de-semana
Sorriso pronto, largo, sincero, de gente
Robusta que ama a terra
E com as mãos calejadas limpa
O suor da testa
O vinho abre o apetite
Encostados, os velhos, sorriem
De rugas na cara e pensamento distante
Tratam o dia a dia com mestria
E matam o tempo nas damas
E na sueca
Enquanto as Donas olham
Para quem triste passa
Nos umbrais das portas,
Sentadas, esperam pela noite
Que chega tarde e fria
Entre ventos sibilantes
E conversas de lareira.
-Poemas de 1998/2000-
(Quadro de Paula Rego)
2.
As escadas,
Mais em baixo as rochas
O mar e a espuma
Prolonga-se o azul do céu
Na luz intensa do sol
E o sal que me salga a vida sorri
Junto ao chão rola a bola
Morde-me ligeiro o pensamento
O mar junto à estrada
Abraça quem passa
Espelhado na água
O mundo corre ao meu lado.
-Poemas de 1998/2000-
(Quadro de René Magritte)
As escadas,
Mais em baixo as rochas
O mar e a espuma
Prolonga-se o azul do céu
Na luz intensa do sol
E o sal que me salga a vida sorri
Junto ao chão rola a bola
Morde-me ligeiro o pensamento
O mar junto à estrada
Abraça quem passa
Espelhado na água
O mundo corre ao meu lado.
-Poemas de 1998/2000-
(Quadro de René Magritte)
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