"O medo vai ter tudo
quase tudo
e cada um por seu caminho
havemos todos de chegar
quase todos
a ratos
Sim
a ratos"
Alexandre O’Neill
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31.
Vozes, fome, cartazes, massa bruta e disforme
Gritam gritos de revolta
Sonham mudar o mundo
Idealismos... novas religiões
Fazem vibrar, doentias multidões.
Julgando que julgam profundo
Enterram milhões em covas bem no fundo...
Mentes pérfidas, espíritos perdidos
Sonhos manipulados, sofridos...
-Poemas de 1998/2000-
(Quadro de Salvador Dalí)
30.
No Jardim do Éden,
Lugar de luxos e delicias
Onde a alma dos justos descansa
Não há frio nem calor,
Apenas há amor
Que brota das pedras
E se faz água que corre...
Um fresco aroma a flores
Percorre a latitude e a longitude.
Nos olhos sem dores
O vagar dos tempos
Namora os ventos
Que trazem as cores
Que fazem da noite o dia...
-Poemas de 1998/2000-
(Quadro de Charles Joseph Natoire)
29.
O sonho é o mundo
É a lança de Quixote
É Camões delirante
É bardos Homéricos cantando Ulisses
O sonho é Shakespeare
É Júlio Verne e o capitão Nemo
São as aventuras de Tom Sawyer
Os sonhos são livros
E o mundo apenas letras
E cada letra uma aventura sagrada
E Deus cabe numa ideia
O sonho é a matéria
A Ode à Alegria de Ludwig
É a paixão e o drama
Essências primeiras...
...E no princípio havia o sonho...
...E do sonho nasce o verbo...
...E do sonho nasce a vida...
-Poemas de 1998/2000-
(Quadro de Charles Joseph Natoire)
28.
Sentado nos degraus
Observo um final de tarde amarelado e feliz
Enrolado o mar deita-se nas rochas
Na linha do horizonte a silhueta de um navio...
Nas minhas costas o trânsito fozeiro
Olha o relógio inquisidor e distante
Deitado na areia indiferente
Os filhos do mar sorriem a vida
As esplanadas de pernas traçadas
Sorvem o Sol às bicadas
Levanto-me e subo socalco a socalco
O espaço que me separa da vida...
Sentado nos degraus
Observo um final de tarde amarelado e feliz
Enrolado o mar deita-se nas rochas
Na linha do horizonte a silhueta de um navio...
Nas minhas costas o trânsito fozeiro
Olha o relógio inquisidor e distante
Deitado na areia indiferente
Os filhos do mar sorriem a vida
As esplanadas de pernas traçadas
Sorvem o Sol às bicadas
Levanto-me e subo socalco a socalco
O espaço que me separa da vida...
-Poemas de 1998/2000-
(Quadro de Monet)
27.
A verdade e a mentira:
os suspensórios do Larry King
As mãos gretadas pela geada dos Invernos
segundos dentro de uma caixa...
A cultura coca-cola,
os heróis do Oeste
O plástico
O céu-da-boca no efémero...
búfalos
Índios
Gordos
que praticam zapping
e nas células cerebrais
a verdade e a mentira.
-Poemas de 1998/2000-
(Quadro de Andy Warhol)
-Poemas de 1998/2000-
(Quadro de Andy Warhol)
26.
E com o dedo estendido, esticado mas não muito
Quase que sonho tocar no mais misterioso dos mistérios...
O espaço o tempo a matéria e a energia...
Crianças correm brincando na inocência de um sorriso
E o som é o silêncio do mundo e do universo
Que é inocente e que brinca e sorri...
E com o dedo estendido, esticado mas não muito
Olho-me de frente... para o nada…
-Poemas de 1998/2000-
(Quadro de Miguel Angelo)
25.
Os gestos escorregam pelo espaço inundado de ar
São frases soltas de cheiros estranhos e cores bizarras
No meio do silêncio ensurdecedor, a ambiguidade
Duvidosa inteligência do ser que corre contra o vento.
Os gestos escorregam pelo espaço inundado de ar
São frases soltas de cheiros estranhos e cores bizarras
No meio do silêncio ensurdecedor, a ambiguidade
Duvidosa inteligência do ser que corre contra o vento.
Naquela tarde tardia e subconsciente o lógico
É um velho que se sente feliz por estar vivo
Apesar de estar ligado a uma máquina que o deixa vegetal
Ilógico é estar triste por ter alguém simplesmente morrido.
No sol doentio os gestos, as frases no silêncio
O patético torna-se trágico e as flores no jardim
Brotam articuladas com a magia eterna da criação
Os mais belos rebentos...
no fundo da rua que não existe
Os homens na tardia tarde discutem a metafísica
E a física quântica... e a caneta sem querer não pára e o movimento é físico e metafísico e quântico
Acabam de desligar a máquina e o estertor da morte
Nem um ai arranca do silêncio pesado do Sol e dos gestos.
-Poemas de 1998/2000-
(Quadro de Hieronymus Bosch)
24.
Olhos moucos, ouvidos cegos
O desespero dos desesperados
Um quadro feito ideias
As letras pintadas a preto e branco
A solidão ao fundo semi vestida
Entre as sombras, a luz forte do norte
E o frio no capote do velho
De unhas enormes e cabelos enormes
Num sorriso largo e triste
Daquele que já fora
O homem mais rico do mundo.
-Poemas de 1998/2000-
(Quadro de Hieronymus Bosch)
23.
Rabisco coisas no guardanapo do bolso
Os dedos do cigarro saltam histéricos
Como virgens papoilas de adolescentes sorrisos
Os óculos na ponta do nariz sonhador
Fazem prever danças da chuva lá para o Verão
Correm os putos ao ar que não é
Torcem os pés as cachopas
E a luz branca, suja de tão escura do dia que é noite
Percorre o meu peito e abraça-me como quem se despede
Ao longe correm as tartarugas desenfreadamente
Paradas no trânsito selvático que molha os pés no suor
Quente de mais um dia de Inverno normal
A chama apaga-se e é o costume
É um aroma a merda que se cola ao cu
E à saliva do mar revolto nas rochas
Circo dos circos homens elefantes de razões distantes
Confiantes no dinheiro das algibeiras
Que matam à fome e à sede os outros
Aqueles... somos nós que fodemos tudo
Nós aqueles, aqueles como nós
A dor a cada brisa que desliza e pisa
As consciências de quem dorme descansado
E eu atormentado escrevo desalentado
Frutos secos na Primavera...
Rabisco coisas no guardanapo do bolso
Os dedos do cigarro saltam histéricos
Como virgens papoilas de adolescentes sorrisos
Os óculos na ponta do nariz sonhador
Fazem prever danças da chuva lá para o Verão
Correm os putos ao ar que não é
Torcem os pés as cachopas
E a luz branca, suja de tão escura do dia que é noite
Percorre o meu peito e abraça-me como quem se despede
Ao longe correm as tartarugas desenfreadamente
Paradas no trânsito selvático que molha os pés no suor
Quente de mais um dia de Inverno normal
A chama apaga-se e é o costume
É um aroma a merda que se cola ao cu
E à saliva do mar revolto nas rochas
Circo dos circos homens elefantes de razões distantes
Confiantes no dinheiro das algibeiras
Que matam à fome e à sede os outros
Aqueles... somos nós que fodemos tudo
Nós aqueles, aqueles como nós
A dor a cada brisa que desliza e pisa
As consciências de quem dorme descansado
E eu atormentado escrevo desalentado
Frutos secos na Primavera...
-Poemas de 1998/2000-
(Quadro de Clifford Still)
22.
Meu olhar absorve tudo
Com a sede de um bêbado
Olho-te na transcendência que és
Faço-me o ar que te entra nos pulmões
Envergonhado desvio as palavras
E caio no silêncio triste dos olhos
O real é o espaço entre o aqui e o nada
E é na solidão do meu quarto
Que repouso descansado cansado de ser.
Meu olhar absorve tudo
Com a sede de um bêbado
Olho-te na transcendência que és
Faço-me o ar que te entra nos pulmões
Envergonhado desvio as palavras
E caio no silêncio triste dos olhos
O real é o espaço entre o aqui e o nada
E é na solidão do meu quarto
Que repouso descansado cansado de ser.
-Poemas de 1998/2000-
(Quadro de Vincent Van Gogh)
20.
O ser é a transcendência total
Nele está encerrado todo o espírito
Tal como a sombra é a arvore
A verdade das coisas está na sua não existência...
Quanto mais perto da incerteza do infinito
Mais longe da incerteza do infinito
O paradoxo é a eterna sabedoria da ignorância...
-Poemas de 1998/2000-
(René Magritte)
19.
Janelas para a rua, sem carros,
Silêncios, suaves, sonhos breves
A noite, a cidade, corpos deitados
Os sons, no escuro, seios doces
Excitamentos, tremores, seres noctívagos
Sorrisos abafados, na tosse arrastada, chuvas
Ventos esvoaçando pelas frinchas
Pelas fofas almofadas deitadas junto ao sexo
Nu da noite prostituta que se vende ao dia
Sem pecados nem dores originais.
-Poemas de 1998/2000-
(Quadro de Toulouse-Lautrec)
18.
As palavras são apenas letras
No intervalo vazio e nulo e sombrio
Do éter
Pedaços de mundos sombras
Correntes frias de pensamentos
Viagens sem princípio nem fim
Como escrava até remir a sua dívida
De letras são feitas as palavras
De sonhos em noites de Verão
Sentimentos invernais
Solidões pálidas
Conhecimentos vagos
Incertezas
Medos.
-Poemas de 1998/2000-
(Quadro de Joan Miró)
17.
Um grito, sangue
o eco no espaço à velocidade da luz até à infinidade das trevas e do
Um grito, sangue
o eco no espaço à velocidade da luz até à infinidade das trevas e do
silêncio
Corredores de corpos, despedaçados
cheiros nauseabundos infestam o ar e as flores e o azul negro do céu
desaba
A morte sorri
nos rostos dos carrascos, desprezo
Ao longe, ao fundo dos tempos, uma brisa de sol deixa ver na
escuridão cinzenta um pouco de luz... um pouco de esperança...
-Poemas de 1998/2000-
(Quadro de Hieronymus Bosch)
16.
Megálito
Em alinhamento preciso
Enormes as pedras
Círculos eternos
Rituais estranhos
Símbolos gigantes
Passos místicos
Ventos espíritos
Luas lamentos
Invernos frios
A morte que espreita
A cada dia que passa
Corpos sofridos
De sortes e enganos
Dos céus...
O ocaso...
Sabedoria milenar
A natureza viva
Faz do homem o que ele é
A força dos elementos
Contra pequenos átomos cheios de vida...
-Poemas de 1998/2000-
(Quadro de Joan Miró)
15.
O zero absoluto princípio fim
Aquele tempo sem espaço Aquele espaço sem tempo o
não ser absoluto
Antes de ser o nada de qualquer coisa os
restos do inexistente
O eterno retorno o principio no fim o fim no principio
A unidade unitária do nada o nascer da morte
a morte renascida
O absurdo uma ideia uma ideia absurda
O infinito um primeiro passo o seu eco
Big bang singularidade big crunch
O nada quark a alma
Ser ou não ser protões e neutrões tudo junto
0 o,oooo... 1 o
-Poemas de 1998/2000-
(Quadro de Barnett Newman)
O absurdo uma ideia uma ideia absurda
O infinito um primeiro passo o seu eco
Big bang singularidade big crunch
O nada quark a alma
Ser ou não ser protões e neutrões tudo junto
0 o,oooo... 1 o
-Poemas de 1998/2000-
(Quadro de Barnett Newman)
14.
A minha casa
São os vizinhos...
O elevador que chia...
Os barulhos que vêm das outras casas...
A minha casa
É o cheiro do meu corpo nos lençóis...
Os cabelos na almofada...
A roupa espalhada pelo meu quarto, o Cristo na cruz...
A minha casa
É a minha avó que tem quase 90 anos...
Os almoços de Domingo...
A toalha que foi branca sobre a mesa com os talheres e os pratos...
A minha casa
É o frio do Inverno...
É o vento do Norte...
É a chuva que cai ruidosamente na calçada tipicamente portuguesa...
A minha casa
É a minha alma...
São os meus livros...
É o tempo que pára para eu sonhar com eles e ser feliz só por isso...
-Poemas de 1998/2000-
(Quadro de Salvador Dalí)
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