5.
Oh, saudade triste saudade
Oh, lembrança audaz e persistente
Que me queimas o interior cruelmente
Vai-te, deixa-me só nas sombras da vontade...
Oh, saudade, triste saudade
De ser feliz somente
Quero por instantes breves sentir que é verdade
A mentira que dentro de mim mente
E ter vontade de nunca mais ter vontade
De lembranças e ledas saudades.
-Poemas de 1982/1991-
(Quadro de Matisse)
4.
Já nada sei
Tudo o que escrevo: letras, frases
Nexo não têm.
"Livre é a minha arte" – digo.
Mas o que é ser livre?!...
Ah!... Sentimentos soltos...
Necessidades totais de nada dizer
Somente escrever, até ao fim...
Mas o que é o fim?...
Isto é tudo um erro
Um erguer de uma voz...
-Poemas de 1982/1991-
(Quadro de Pablo Picasso)
2.
Tudo o que sou
Já nem sei quem é
Todo o eu é plural...
Sombra... sombras...
E eu vivo contente,
Feliz... só e sempre dois...
O plural e eu sós
Fitando a sombra de nós...
Uma só é a minha voz
Eu sou um só,
Mas... uma parte de mim sou eu
A outra não sei.
-Poemas de 1982/1991-
(Quadro de Piet Mondrian)
1.
Respiro o ar que pisas e se perde na penumbra
Escura e fria... os teus passos no meu peito como um pêndulo...
O tempo tomba no espaço íntimo da minha existência...
Despidos os corpos de vaidade... doce o azul dos teus olhos mar...
Faleço em querer-te... ofuscado na tua imagem, o meu ser... sonho...
Espelhos quebrados... luar que inunda o quarto... pela janela a escura solidão.
Bailam no escuro cabelos ao vento celestes...
Um resto de ser paira em mim... vejo a sombra...
À noite, no estar só, a sombra funde-se em mim...
A pena escreve indiferente e nula... o pensamento vão...
Chegam-me aos ouvidos ruídos estranhos... a noite a acordar em mim...
Uma voz uma guitarra um só eco um só tempo um só espaço...
momento...
-Poemas de 1982/1991-
(Quadro de Pierre-Auguste Renoir)
31.
Vozes, fome, cartazes, massa bruta e disforme
Gritam gritos de revolta
Sonham mudar o mundo
Idealismos... novas religiões
Fazem vibrar, doentias multidões.
Julgando que julgam profundo
Enterram milhões em covas bem no fundo...
Mentes pérfidas, espíritos perdidos
Sonhos manipulados, sofridos...
-Poemas de 1998/2000-
(Quadro de Salvador Dalí)
30.
No Jardim do Éden,
Lugar de luxos e delicias
Onde a alma dos justos descansa
Não há frio nem calor,
Apenas há amor
Que brota das pedras
E se faz água que corre...
Um fresco aroma a flores
Percorre a latitude e a longitude.
Nos olhos sem dores
O vagar dos tempos
Namora os ventos
Que trazem as cores
Que fazem da noite o dia...
-Poemas de 1998/2000-
(Quadro de Charles Joseph Natoire)
29.
O sonho é o mundo
É a lança de Quixote
É Camões delirante
É bardos Homéricos cantando Ulisses
O sonho é Shakespeare
É Júlio Verne e o capitão Nemo
São as aventuras de Tom Sawyer
Os sonhos são livros
E o mundo apenas letras
E cada letra uma aventura sagrada
E Deus cabe numa ideia
O sonho é a matéria
A Ode à Alegria de Ludwig
É a paixão e o drama
Essências primeiras...
...E no princípio havia o sonho...
...E do sonho nasce o verbo...
...E do sonho nasce a vida...
-Poemas de 1998/2000-
(Quadro de Charles Joseph Natoire)
28.
Sentado nos degraus
Observo um final de tarde amarelado e feliz
Enrolado o mar deita-se nas rochas
Na linha do horizonte a silhueta de um navio...
Nas minhas costas o trânsito fozeiro
Olha o relógio inquisidor e distante
Deitado na areia indiferente
Os filhos do mar sorriem a vida
As esplanadas de pernas traçadas
Sorvem o Sol às bicadas
Levanto-me e subo socalco a socalco
O espaço que me separa da vida...
Sentado nos degraus
Observo um final de tarde amarelado e feliz
Enrolado o mar deita-se nas rochas
Na linha do horizonte a silhueta de um navio...
Nas minhas costas o trânsito fozeiro
Olha o relógio inquisidor e distante
Deitado na areia indiferente
Os filhos do mar sorriem a vida
As esplanadas de pernas traçadas
Sorvem o Sol às bicadas
Levanto-me e subo socalco a socalco
O espaço que me separa da vida...
-Poemas de 1998/2000-
(Quadro de Monet)
27.
A verdade e a mentira:
os suspensórios do Larry King
As mãos gretadas pela geada dos Invernos
segundos dentro de uma caixa...
A cultura coca-cola,
os heróis do Oeste
O plástico
O céu-da-boca no efémero...
búfalos
Índios
Gordos
que praticam zapping
e nas células cerebrais
a verdade e a mentira.
-Poemas de 1998/2000-
(Quadro de Andy Warhol)
-Poemas de 1998/2000-
(Quadro de Andy Warhol)
26.
E com o dedo estendido, esticado mas não muito
Quase que sonho tocar no mais misterioso dos mistérios...
O espaço o tempo a matéria e a energia...
Crianças correm brincando na inocência de um sorriso
E o som é o silêncio do mundo e do universo
Que é inocente e que brinca e sorri...
E com o dedo estendido, esticado mas não muito
Olho-me de frente... para o nada…
-Poemas de 1998/2000-
(Quadro de Miguel Angelo)
25.
Os gestos escorregam pelo espaço inundado de ar
São frases soltas de cheiros estranhos e cores bizarras
No meio do silêncio ensurdecedor, a ambiguidade
Duvidosa inteligência do ser que corre contra o vento.
Os gestos escorregam pelo espaço inundado de ar
São frases soltas de cheiros estranhos e cores bizarras
No meio do silêncio ensurdecedor, a ambiguidade
Duvidosa inteligência do ser que corre contra o vento.
Naquela tarde tardia e subconsciente o lógico
É um velho que se sente feliz por estar vivo
Apesar de estar ligado a uma máquina que o deixa vegetal
Ilógico é estar triste por ter alguém simplesmente morrido.
No sol doentio os gestos, as frases no silêncio
O patético torna-se trágico e as flores no jardim
Brotam articuladas com a magia eterna da criação
Os mais belos rebentos...
no fundo da rua que não existe
Os homens na tardia tarde discutem a metafísica
E a física quântica... e a caneta sem querer não pára e o movimento é físico e metafísico e quântico
Acabam de desligar a máquina e o estertor da morte
Nem um ai arranca do silêncio pesado do Sol e dos gestos.
-Poemas de 1998/2000-
(Quadro de Hieronymus Bosch)
24.
Olhos moucos, ouvidos cegos
O desespero dos desesperados
Um quadro feito ideias
As letras pintadas a preto e branco
A solidão ao fundo semi vestida
Entre as sombras, a luz forte do norte
E o frio no capote do velho
De unhas enormes e cabelos enormes
Num sorriso largo e triste
Daquele que já fora
O homem mais rico do mundo.
-Poemas de 1998/2000-
(Quadro de Hieronymus Bosch)
23.
Rabisco coisas no guardanapo do bolso
Os dedos do cigarro saltam histéricos
Como virgens papoilas de adolescentes sorrisos
Os óculos na ponta do nariz sonhador
Fazem prever danças da chuva lá para o Verão
Correm os putos ao ar que não é
Torcem os pés as cachopas
E a luz branca, suja de tão escura do dia que é noite
Percorre o meu peito e abraça-me como quem se despede
Ao longe correm as tartarugas desenfreadamente
Paradas no trânsito selvático que molha os pés no suor
Quente de mais um dia de Inverno normal
A chama apaga-se e é o costume
É um aroma a merda que se cola ao cu
E à saliva do mar revolto nas rochas
Circo dos circos homens elefantes de razões distantes
Confiantes no dinheiro das algibeiras
Que matam à fome e à sede os outros
Aqueles... somos nós que fodemos tudo
Nós aqueles, aqueles como nós
A dor a cada brisa que desliza e pisa
As consciências de quem dorme descansado
E eu atormentado escrevo desalentado
Frutos secos na Primavera...
Rabisco coisas no guardanapo do bolso
Os dedos do cigarro saltam histéricos
Como virgens papoilas de adolescentes sorrisos
Os óculos na ponta do nariz sonhador
Fazem prever danças da chuva lá para o Verão
Correm os putos ao ar que não é
Torcem os pés as cachopas
E a luz branca, suja de tão escura do dia que é noite
Percorre o meu peito e abraça-me como quem se despede
Ao longe correm as tartarugas desenfreadamente
Paradas no trânsito selvático que molha os pés no suor
Quente de mais um dia de Inverno normal
A chama apaga-se e é o costume
É um aroma a merda que se cola ao cu
E à saliva do mar revolto nas rochas
Circo dos circos homens elefantes de razões distantes
Confiantes no dinheiro das algibeiras
Que matam à fome e à sede os outros
Aqueles... somos nós que fodemos tudo
Nós aqueles, aqueles como nós
A dor a cada brisa que desliza e pisa
As consciências de quem dorme descansado
E eu atormentado escrevo desalentado
Frutos secos na Primavera...
-Poemas de 1998/2000-
(Quadro de Clifford Still)
22.
Meu olhar absorve tudo
Com a sede de um bêbado
Olho-te na transcendência que és
Faço-me o ar que te entra nos pulmões
Envergonhado desvio as palavras
E caio no silêncio triste dos olhos
O real é o espaço entre o aqui e o nada
E é na solidão do meu quarto
Que repouso descansado cansado de ser.
Meu olhar absorve tudo
Com a sede de um bêbado
Olho-te na transcendência que és
Faço-me o ar que te entra nos pulmões
Envergonhado desvio as palavras
E caio no silêncio triste dos olhos
O real é o espaço entre o aqui e o nada
E é na solidão do meu quarto
Que repouso descansado cansado de ser.
-Poemas de 1998/2000-
(Quadro de Vincent Van Gogh)
20.
O ser é a transcendência total
Nele está encerrado todo o espírito
Tal como a sombra é a arvore
A verdade das coisas está na sua não existência...
Quanto mais perto da incerteza do infinito
Mais longe da incerteza do infinito
O paradoxo é a eterna sabedoria da ignorância...
-Poemas de 1998/2000-
(René Magritte)
19.
Janelas para a rua, sem carros,
Silêncios, suaves, sonhos breves
A noite, a cidade, corpos deitados
Os sons, no escuro, seios doces
Excitamentos, tremores, seres noctívagos
Sorrisos abafados, na tosse arrastada, chuvas
Ventos esvoaçando pelas frinchas
Pelas fofas almofadas deitadas junto ao sexo
Nu da noite prostituta que se vende ao dia
Sem pecados nem dores originais.
-Poemas de 1998/2000-
(Quadro de Toulouse-Lautrec)
18.
As palavras são apenas letras
No intervalo vazio e nulo e sombrio
Do éter
Pedaços de mundos sombras
Correntes frias de pensamentos
Viagens sem princípio nem fim
Como escrava até remir a sua dívida
De letras são feitas as palavras
De sonhos em noites de Verão
Sentimentos invernais
Solidões pálidas
Conhecimentos vagos
Incertezas
Medos.
-Poemas de 1998/2000-
(Quadro de Joan Miró)
17.
Um grito, sangue
o eco no espaço à velocidade da luz até à infinidade das trevas e do
Um grito, sangue
o eco no espaço à velocidade da luz até à infinidade das trevas e do
silêncio
Corredores de corpos, despedaçados
cheiros nauseabundos infestam o ar e as flores e o azul negro do céu
desaba
A morte sorri
nos rostos dos carrascos, desprezo
Ao longe, ao fundo dos tempos, uma brisa de sol deixa ver na
escuridão cinzenta um pouco de luz... um pouco de esperança...
-Poemas de 1998/2000-
(Quadro de Hieronymus Bosch)
16.
Megálito
Em alinhamento preciso
Enormes as pedras
Círculos eternos
Rituais estranhos
Símbolos gigantes
Passos místicos
Ventos espíritos
Luas lamentos
Invernos frios
A morte que espreita
A cada dia que passa
Corpos sofridos
De sortes e enganos
Dos céus...
O ocaso...
Sabedoria milenar
A natureza viva
Faz do homem o que ele é
A força dos elementos
Contra pequenos átomos cheios de vida...
-Poemas de 1998/2000-
(Quadro de Joan Miró)
15.
O zero absoluto princípio fim
Aquele tempo sem espaço Aquele espaço sem tempo o
não ser absoluto
Antes de ser o nada de qualquer coisa os
restos do inexistente
O eterno retorno o principio no fim o fim no principio
A unidade unitária do nada o nascer da morte
a morte renascida
O absurdo uma ideia uma ideia absurda
O infinito um primeiro passo o seu eco
Big bang singularidade big crunch
O nada quark a alma
Ser ou não ser protões e neutrões tudo junto
0 o,oooo... 1 o
-Poemas de 1998/2000-
(Quadro de Barnett Newman)
O absurdo uma ideia uma ideia absurda
O infinito um primeiro passo o seu eco
Big bang singularidade big crunch
O nada quark a alma
Ser ou não ser protões e neutrões tudo junto
0 o,oooo... 1 o
-Poemas de 1998/2000-
(Quadro de Barnett Newman)
14.
A minha casa
São os vizinhos...
O elevador que chia...
Os barulhos que vêm das outras casas...
A minha casa
É o cheiro do meu corpo nos lençóis...
Os cabelos na almofada...
A roupa espalhada pelo meu quarto, o Cristo na cruz...
A minha casa
É a minha avó que tem quase 90 anos...
Os almoços de Domingo...
A toalha que foi branca sobre a mesa com os talheres e os pratos...
A minha casa
É o frio do Inverno...
É o vento do Norte...
É a chuva que cai ruidosamente na calçada tipicamente portuguesa...
A minha casa
É a minha alma...
São os meus livros...
É o tempo que pára para eu sonhar com eles e ser feliz só por isso...
-Poemas de 1998/2000-
(Quadro de Salvador Dalí)
12.
Cordas esticadas
Empurra o vento... o baloiço...
Branco o ondular... distraído...
Prédios... Elevadores... Parabólicas
Deuses soltam amarras
Aprisionados na existência
Na incongruência das sombras
Feitas de luzes
Feitas de luzes
E transparências translúcidas
De lençóis presos
-Poemas de 1998/2000-
Na metafísica
No acaso
Mistério das coisas
Cuja ordem natural
Causa e efeito... nada mais.
-Poemas de 1998/2000-
(Quadro de Robert Ryman)
11.
Corpos
Nus
E
Sexos
Crus
E
Cheiros...
Tu
E
Eu
Sós,
Tocar
Com
Os
Dedos
Os
Nós
Dados...
Laços,
Pedaços
Rendilhados...
Restos
Amados
Deslocados...
Como as nuvens que se afastam levadas pelo vento...
... perde-se tudo...
... o desamor...
A tristeza do vazio...
-Poemas de 1998/2000-
(Quadro de Matisse)
10.
Está um dia triste, cinzento, mas não está frio
É Outono, estamos em Outubro, é Domingo...
Os arrumadores, em frente, conversam de mãos nos bolsos
Ao fundo há um que corre de braços no ar, chama por alguém...
Gente de casacos, outros de camisa, todos de Domingo
Todos muito frescos... muito lavados ou nem isso...
As montras parecem ter mel... toca a consumir...
Consumir... é importante...
É mais um dia que deixou de ser e a noite deita-se comigo
É Outono, estamos em Outubro, era Domingo...
-Poemas de 1998/2000-
(Quadro de Renoir)
9.
Cinzentos dias
Turbulentos tempos
Tudo parece ser o que é...
A democracia é uma gata
com cio...
que se roça...
Falecem modelos... nada é rígido e estático...
O desafio é a adaptabilidade...
Mas no principio
Como no fim
Tudo se resume
Tudo se resume
estatisticamente...
E os empregos são couves
-Poemas de 1998/2000-
E os empregos são couves
de Bruxelas…
-Poemas de 1998/2000-
(Quadro de Chirico)
7.
Amontoam-se casas e mais casas
As serras e os montes são casinhas
As estradas cortam campos
O progresso range os dentes
As máquinas desatinam desvairadas
E embrutecem as pessoas
E a televisão, o futebol
As antenas e os cabos
Dão tudo e ninguém quer mais nada.
-Poemas de 1998/2000-
(Quadro de Mimmo Rotella)
6.
As pessoas que estão sentadas nos cafés
Bebem águas gaseificadas
E arrotam a vida dos outros
Com a facilidade de um espirro
Eu acho isso extraordinário
Cosmopolita e, por isso, ridículo,
Amo sinceramente o facto
E o facto é um espirro dado num café
Provavelmente, não haverá nada de mais estranho
Que um animal presunçoso e arrogante
A sorver calmamente o seu café
Com o dedo mindinho, maroto e atrevido
Teso, no ar, como que a dizer: - eu estou aqui!
E de novo um espirro
E mais outro,
De repente a gripe é generalizada...
E as gargalhadas estridentes...
E a morte é a única saída para o crime
De estar ali.
-Poemas de 1998/2000-
(Quadro de André Masson)
4.
No centro da aldeia o chafariz
Bailaricos de fim-de-semana
Sorriso pronto, largo, sincero, de gente
Robusta que ama a terra
E com as mãos calejadas limpa
O suor da testa
O vinho abre o apetite
Encostados, os velhos, sorriem
De rugas na cara e pensamento distante
Tratam o dia a dia com mestria
E matam o tempo nas damas
E na sueca
Enquanto as Donas olham
Para quem triste passa
Nos umbrais das portas,
Sentadas, esperam pela noite
Que chega tarde e fria
Entre ventos sibilantes
E conversas de lareira.
-Poemas de 1998/2000-
(Quadro de Paula Rego)
2.
As escadas,
Mais em baixo as rochas
O mar e a espuma
Prolonga-se o azul do céu
Na luz intensa do sol
E o sal que me salga a vida sorri
Junto ao chão rola a bola
Morde-me ligeiro o pensamento
O mar junto à estrada
Abraça quem passa
Espelhado na água
O mundo corre ao meu lado.
-Poemas de 1998/2000-
(Quadro de René Magritte)
As escadas,
Mais em baixo as rochas
O mar e a espuma
Prolonga-se o azul do céu
Na luz intensa do sol
E o sal que me salga a vida sorri
Junto ao chão rola a bola
Morde-me ligeiro o pensamento
O mar junto à estrada
Abraça quem passa
Espelhado na água
O mundo corre ao meu lado.
-Poemas de 1998/2000-
(Quadro de René Magritte)
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